domingo, agosto 07, 2005

A Sopa 05/03

Hoje não vou falar do peixe.

Para quem não acompanha este blog diariamente, eu explico, mas antes pergunto: como é que você, distraído leitor, consegue não acompanhar o que se passa aqui todos os dias? Bom, deixe para lá…

Explicando, então. Estou, por alguns dias, servindo de babá para o Norman, o peixe, enquanto a Adriana, mãe da Alice (e da Laura, a dona da Boneca Morta), que é dona dele, viaja de férias. Pois bem, estar tomando conta do Norman tem me proporcionado algumas reflexões, alguns insights sobre a condição humana, e o mundo em geral.

Mas eu disse que não ia falar do peixe.

Vou falar do iPod.

Já falei nele antes, aliás. Ele mudou a minha vida aqui no Canadá. Desde que comprei o tocador de MP3 da Apple, os dias têm tido outra cor, tem tido trilha sonora. As minhas corridas na esteira na academia também se tornaram toleráveis por causa dele, e a pergunta que surgiu foi “Como eu podia viver antes do advento do iPod?”. É a mesma pergunta que as pessoas se fazem sobre o telefone celular, e algumas até sobre os computadores.

A vida era mais simples, com certeza, mas era pior ou melhor? Cada um tem uma opinião, claro, e eu apenas olho e penso: “Whatever…”. O que a vida era ou podia ter sido não importa muito. Importa o hoje e o amanhã, o que vamos fazer com ela, a vida. Importam as pessoas, sem dúvida.

De volta ao iPod, entre suas opções, posso ouvir as músicas em ordem aleatória. Era a minha opção, ser surpreendido pela música seguinte. De uns dias para cá, mudei essa opção: estou ouvindo as músicas em ordem alfabética. É uma experiência totalmente nova, e tão interessante quanto ouvi-las aleatoriamente. E acontecem situações sui generis, como – por exemplo – ouvir a música ‘Eu Sei’, da Legião Urbana, primeiro na versão acústica da Banda da Sopa e em seguida ouvir a mesma música na versão da própria Legião Urbana e, perceber – modestamente, é claro – que a da Banda da Sopa não fica devendo em nada para a original. Mas, por outro lado, e ainda no exemplo da Legião Urbana, ocorre de eu ter que ouvir em sequência duas versões de ‘Faroeste Caboclo’.

Comentando isso com a Jacque, ela perguntou por que eu não pulava a segunda versão da música, para não precisar ouvir duas vezes? Respondi que não podia, afinal eu estaria trapaceando, e alguma coisa ruim poderia acontecer.

Vai, por exemplo, que o Norman morresse.

Prefiro não correr esse risco…

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A Crise do Brasil

by Marcelo Tadday Rodrigues

Tenho pensado muito sobre a crise moral que o país enfrenta. Muito mesmo. No início, a primeira vontade que dá – ao olhar com um pouco mais de atenção a tudo o que acontece à nossa volta – é de sair do país e ir trabalhar em qualquer coisa fora do Brasil, tipo garçom, jardineiro, sei lá. Abandonar o barco porque está fazendo água, há tempos.

Basta abrir os jornais: é crise política, corrupção, mar de lama, etc. O PT, que era o último bastião da moralidade e honestidade no país, está envolvido – ainda a ser completamente provado – num esquema de proporções ainda não vistas. Ou vista e esquecida como característica brasileira: a pouca memória. E as investigações se aproximam do governo anterior, ou do partido do governo anterior, parece envolvido numa grande engrenagem de financiamento de campanhas e lavagem de dinheiro através de empréstimos nunca pagos em bancos que se beneficiaram de benesses públicas. No fundo, é são os mesmos mandando no país desde sempre, só mudando os nomes na fachada, a máquina por trás intacta. Lembra uma música atual do Gabriel, o Pensador: “...até quando você vai levando (porrada), até quando vai ficar sem fazer nada?”.

A crise moral que nos assola não está restrita apenas ao âmbito da política, contudo. Sabe como é: “Cada povo tem o novo que merece”. É no dia-a-dia que se vê porque as coisas estão mal, nos detalhes é que se percebe a semente de tudo. Passar quando o sinal está fechado, furar filas, querer sempre levar vantagem. Falta de educação, em suma.

Pensando neste contexto sombrio, cheguei à conclusão que o que falta no Brasil atualmente, é a influência da família. Famílias fortes, que cultivem a honra e a lealdade, são o que podem nos salvar da ruína social. Para ser mais específico, famiglias. O que falta no Brasil é a máfia. Não estes grupelhos de marginais, ditos de extermínio, ou traficantes e contrabandistas. Não. O que precisamos é da máfia no sentido de pessoas que prezem pela lealdade à família, à tradição. Somos um país jovem, precisamos de alguém que nos ponha na linha, como um pai, ou um chefão. Alguém que respeitemos e que – mesmo que por temor – não nos deixe sucumbir às tentações do mau caminho.

Por isso, finalmente,é com orgulho que a holding Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo, da qual A Sopa e o blog A Sopa no Exílio são parte integrante, anuncia o lançamento, nos próximos meses, do Tele-Máfia.

Não gosta do namorado de sua filha? Acha que teu sócio está te roubando? Aquele grandalhão da oitava série está te ameaçando? Necessita de alguém que leve seus filhos nas festinhas e, além disso, faça a segurança deles? Algum don Juan assediando sua namorada/noiva/esposa? Chame o Tele-Máfia que resolvemos o seu problema. Aceitamos cartão de crédito, cheque pré, etc. Sem burocracias, contratos feitos apenas na palavra de honra.

(Adaptado de texto publicado n'A Sopa dia 20/08/2001)

5 comentários:

Anônimo disse...

Oi Marcelo. Sabe o que eu odeio no seu Blog? Ele me deixa com vontade de consumir. Primeiro foi o computador da Apple que desisti na ultima hora, agora é o Ipod... Vou mandar a conta dos meus desejos consumistas para vc, já que vc é co-autor. Ao invés de Tele-Máfia, vc faria sucesso no bom e velho Tele-Marketing mesmo. Abraço.
Mauricio V. Almeida
http://canadiando.zip.net

Ana disse...

Tele-Mafia - HAHAHA


Como esta a bonequinha morta? Tem noticias?

Eu quero um I-pod :(

Allan Robert P. J. disse...

E por falar em peixe, Acho que foi Rubem Braga quem disse: "Antigamente as coisas eram piores. Aí, elas foram piorando, piorando..."
Ciao

Luly :) disse...

E o Wander que chegou pra mim esses dias: "Eu PRECISO ter alguma coisa da Apple!! Vamos comprar, pelo menos, um IPod?" Hahahaha!
Quem não tem cão...

Bjoca

Monique disse...

Oi MArcelo; Esse seu iPod só tem um problema, te vejo na rua, berro seu nome e vc não me escuta. Te ví hoje. abrçs,