sexta-feira, julho 22, 2005

Quando é mais difícil

Viver no Canadá não é difícil.

Pelo contrário, aliás. É muito fácil viver no Canadá.

A maioria das coisas funciona a contento, e falo agora de Toronto, onde vivo, o transporte público, o sistema de saúde (já sei que muitos vão dizer que não é bom mas, convenhamos, é só olhar para o próprio umbigo e lembrar como a funciona a sáude em outros lugares, tipo, sei lá, o Brasil) a segurança, etc. Antes que eu seja massacrado, que fique claro, eu sei que o sistema da saúde aqui não é perfeito, existem sérios problemas, e também não sou daqueles que acham que tudo no Brasil é ruim e no exterior é bom, mas um lugar em que os impostos que se paga – mesmo que altos – têm retorno na forma de, sim, saúde gratuita, onde todos são iguais perante a lei, bom, na comparação… a conclusão é de vocês.

Segurança. Conforme dados divulgados hoje, a província de Ontário e Toronto, em especial, são os locais no Canadá onde a criminalidade vem diminuindo. Sério, diminuindo!

Pois é, esse é o meu ponto: é fácil morar no Canadá.

Mas (e sempre tem um mas na vida) tem dias em que é complicado.

Ontem, por exemplo.

Após ver um paciente, voltei à minha sala e tinha um email me esperando. Era da Kaká, irmã da Jacque, minha amada cunhada e mãe da Beta, minha afilhada. Dizia o email que a Roberta, oito anos e meio, tinha acordado se sentindo mal. Estava angustiada e, ao chorar, disse que estava com saudades “do Dindo”.

Liguei na hora, claro. E conversamos. Foi bem legal, ela já estava melhor, mas perguntou quando eu voltava. Disse que eu iria à Porto Alegre no aniversário dela, em dezembro.”Por quanto tempo?”, perguntou. Duas semanas, eu disse. “E depois?”. Depois, só em julho, quando volto para casa. “Pra sempre?”.

Para sempre, para sempre.

Às vezes não é fácil segurar a barra…

Até.

4 comentários:

Aninha disse...

:(
Eu sei como e isso. So que no meu caso sao meus pais, e eu nao vou voltar pra casa pra sempre.

E eu ja falei que os medicos aqui sao diferentes dos do Brasil. Nao vou ficar falando pior, porque geral vai cair matando em cima, mas diferentes. E isso e falado por TODA pessoa que mora na Europa que eu conheco. Mas tudo bem...

Tenha um bom fim de semana, Marcelo! Um abraco :)

Anônimo disse...

Não sei se és pai ainda, mas tudo que sofreu triplica quando é uma filhinha nossa que diz algo parecido com que a Beta disse...fico compadecida com o que você sentiu...minha filha irá fazer 4 anos e as vezes me sinto como uma mãe de uma recém nascida, tamanho apego que sinto por aquele serzinho que de mim nasceu... algo mágico, místico, sei lá...Ainda bem que dezembro está chegando...Força...é o máximo que posso te dizer de momento...E ...dane-se o primeiro mundo num caso desses, não é mesmo?? Bjinhos da Georgia (lembre-se qua amanhã é sábado... em geral tudo melhora!! Até!!)

Jacque Rizzolli disse...

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
A AUSÊNCIA DO MARCELINHO POR TEMPO PROLONGADO, FAZ MUITO MAL A SAÚDE!!!
Não só da Betinha, mas principalmente da Jacque (pior ainda nas solitárias sextas-feiras de inverno em Porto Alegre)!
...Eu sinto a falta de você, me sinto só...e aí, será que voc~e volta, tudo a minha volta, é triste...e aí o amor pode acontecer, denovo prá voc~e...palpite... LOVE YOU, yours Jackie (tequila)

Mauricio V. Almeida disse...

Olá Marcelo. Tudo bom? Pra Sempre????? Mesmo???? Aposto que em menos de 2 anos vc está de volta... Espero que não, espero que vc consiga ficar numa boa por lá mas eu tenho medo de quando pisar de volta em São Paulo, eu não consiga nem sair do aéroporto e já voltar correndo. Abraço e bom final de semana.