domingo, julho 24, 2005

A Sopa 05/01

Como sou um interessado na passagem do tempo e seus efeitos, não é nem um pouco surpreendente que eu valorize datas de alguma maneira significativas. A minha boa memória facilita isso. Ou será que minha boa memória é decorrente do fato de eu achar que datas são importantes? Tanto faz, tanto faz…

O fato é que estou diante de uma data significativa na minha história pessoal. E datas significativas nos levam a refletir sobre os seus significados, e os significados das datas nos fazem repensar nossas escolhas e caminhos que optamos por seguir. E será bom se o resultado final de todos esses pensamentos for positivo. O meu resultado é, podem estar certos.

O semanário A Sopa, precursor do blog A Sopa no Exílio, está completando quatro anos e – óbvio – entrando no seu quinto ano de existência. Antes de vir para Toronto, eu escrevia uma vez por semana e enviava via email às segundas-feiras para os assinantes, que sempre foram em torno de cinqüenta a sessenta, mais ou menos o mesmo número de participantes da Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo, que – por sinal – completa dez anos em 2006, com prováveis duas edições, uma em Toronto e outra em Porto Alegre, mas esse são planos para o futuro, para o ano que vem.

Hoje, comemoramos os quatro anos d`A Sopa, o semanário.

Muita coisa aconteceu desde o seu primeiro número, em julho de 2001. Com o mundo e comigo. Se pararmos para pensar, quatros anos é quase uma eternidade, ao mesmo tempo em que não é nada, e esse é um dos fascínios da passagem do tempo.

No ano passado, eu escrevia – no início do quarto ano de vida d’A Sopa – que eu estava na iminência de grandes mudanças na minha vida, prestes a vir para Toronto, de onde eu tentaria contar novas histórias, além de estar antecipando o que seria o final de um ciclo e o início de outro. Cheio de planos, como sempre.

Antecipava que eu mudaria muito no meu “exílio canadense”, mas que eu não notaria, e quem me diria isso seriam aquelas pessoas que eu ficaria sem ver por todo o tempo da minha estada aqui, mas que o verdadeiro eu não mudaria. Eu estava enganado.

Sim, eu sou o mesmo, na essência, que eu era antes e que vou ser sempre. Mas as mudanças que inevitavelmente iriam acontecer estão acontecendo, até eu mesmo noto. Pequenas coisas, claro, sem importância até, mas que, no final das contas, vão fazer diferença.

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Quem tem o Poder?

by Alexandre Magno Frediani

Os recentes escândalos de corrupção e conspurcação do Estado brasileiro suscitam debates sob muitos enfoques. Pretendo provocar a discussão sobre o exercício do poder.

A própria definição de o que vem a ser o poder já mereceria, no mínimo, um fórum. Usemos a idéia mais difundida, de que o poder fundamenta-se na estrutura de Estado, de ocupar espaços pré-estabelecidos em uma arquitetura existente, apenas substituindo os inquilinos, mas permanecendo o mesmo edifício. Derruba uma parede, abre uma porta, troca o piso, mas, no fundo, pouca muda. Seguindo as regras da política tradicional para lutar por esses cargos, uma fatia considerável da esquerda brasileira chegou ao poder institucionalizado.

Mas parece que ocupa somente a linha de frente, a exposição na vitrine, enquanto nos perguntamos: quem está por trás das figuras públicas? Quem opera os fios das marionetes, com quais interesses, com qual ideologia? A cada dia aprendemos novos nomes, novas funções, novas empresas, pessoas desconhecidas que estão interligadas há muito tempo, dentro de um sistema que se especializou em apropriar-se do Estado para beneficio de uns poucos.

O Estado deixa de ser de todos, para ser de alguns poucos. Mas os nomes são novos, e não há parentesco entre esses donos atuais e os antigos. O que permeia todos eles é uma mesma base cultural, vinda do período colonial, de explorar ao máximo os recursos, uma atitude predatória para salvar um pequeno grupo, uma elite que se apodera da estrutura montada, uma estrutura gigantesca que passa a favorecer uma parte da sociedade, os escolhidos. Entao não há nada de novo no país do futebol! É o mesmo modus operandi, agora viabilizado por outros nomes, uma grande maquiagem para esconder as rugas do velho regime.

A grande decepção vem da capitulação dos sonhos diante da ganância. Aqueles que vinham de baixo, que até há pouco eram pobres, esqueceram-se de suas origens e querem apenas se locupletar. Antes de se adonar do Governo, adonaram-se de um partido, criando uma cúpula isolada e inatingível. Na verdade não eram da esquerda, eram apenas atores formando um grupo político diferente, para chegar ao poder e usufruir dele, mantendo a tradição brasileira, nosso velho esqueleto colonial.

Não é facil tratar um desvio de caráter de 500 anos… E nosso desânimo vem da baixa auto-estima, quando percebemos como nos deixamos enganar, como não mantivemos a vigilância, como confiamos cegamente, e aquelas personagens que foram eleitas, eram apenas fachada, porque os verdadeiros donos do poder estão escondidos, agem à sombra, e não vimos como fomos manipulados. Mais uma vez! Talvez não haja ideologia, haja apenas interesses. E, enquanto não aprendermos a enxergar, continuaremos não vendo os fios.

Os fios das marionetes.

Um comentário:

Ferdinando disse...

Olá Marcelo,

ouça em www.somnanet.com as minhas canções. Depois de ouví-las, acredito que poderei contar com a indicação por você desse site, a todos os seus amigos. Tráta-se da realização de um sonho, o sonho de um músico independente. Muito obrigado.

Ferdinando.