A ideia de a memória ser como uma grande galeria de quadros retratando os fatos vividos/passados me soa muito interessante. A inspiração dessa imagem vem da letra de ‘Como Nossos Pais’ composta por Belchior e eternizada na voz dele mesmo e na da Elis Regina. Diz assim: “Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais...”.
A parede da memória, ou a galeria, ou museu, onde estaria exposto tudo o que vivemos, tudo pelo que passamos. Lugares, fatos, pessoas. Momentos de alta e de baixa. Euforia e – digamos – vergonha. Aqueles momentos inesquecíveis, como a fração de segundo que antecipou o primeiro beijo, mas também aquele comentário infeliz que fizemos em alguma situação e que nos deixou constrangidos, com vontade de sumir. E seria uma parede em constante expansão, onde quase que diariamente acrescentaríamos novos quadros, novas obras.
O que ficará para a nossa posteridade pessoal, íntima? Como são definidos os fatos que estarão nessa parede, nesse nosso museu próprio? O quê e quando esqueceremos aquilo que nos era importante (o tema esquecimento é recorrente comigo, sim)? Não tenho essas respostas. Por isso sigo, criando memórias.
Também é, de certa forma, a razão pelo qual tenho publicado na Instagram uma foto por dia (a ideia é que seja por um ano), e que use isso para expor quadros (lembranças) de tempos idos e pessoas, idas ou não. Para lembrar e, sim, mostrar o respeito que tenho pela minha (nossa) história.
Até.