Cancelamento.
Ato ou efeito de cancelar. Boicotar ou retirar o apoio a uma organização, pessoa, etc., especialmente em posição poder e influência, por meio de manifestações nas redes sociais, por causa de opiniões, atitudes ou comportamentos considerados inaceitáveis. É uma das palavras e ações da moda, em tempos de polarização, intolerância e posições políticas extremadas.
Pessoas que se acham portadoras no monopólio da virtude sentem-se no direito de julgar e executar punições a outros por opiniões dadas, por ideias que consideram erradas, ou ruins. Como todos notamos, as redes sociais se tornaram um tribunal acusatório, onde todos apontam para os defeitos dos outros talvez para mascararem os seus próprios.
Isso me incomoda.
Quem é que outorgou a você, cancelador, o direito e a prerrogativa de determinar quem é que pode ou não ter voz?
Existem pessoas, fora da minha bolha, com as quais eu não concordo, cujas opiniões são diametralmente opostas às minhas. E está tudo bem. É o direito delas terem sua opinião e é meu direito discordar, se for o caso. Não é direito de ninguém, contudo, querer silenciar a voz do outro.
Volto, então, à questão da liberdade de expressão.
Considero direito fundamental. Como já falei, é direito de cada um ter e expressar sua opinião, e o limite disso é a lei. Se eu estimulo, faço apologia, cometo ou defendo um crime, devo arcar com as consequências disso, na forma da lei. E quem deve julgar e condenar ou não, é a justiça.
Se eu não concordo com o que alguém diz em rede social, se me sinto ofendido ou agredido, a melhor forma de lidar com isso, na minha opinião, é ignorar, não ler, não ouvir. Se outros quiserem dar audiência, problema deles. Eu não vou fazer isso. Se alguém é idiota e propaga, divulga e se orgulha disso, problema é dele, não meu. Eu não vou ler, ou ouvir.
Não dar palco para quem eu considero idiota é a (minha) melhor forma de lidar com isso.
Até.